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      Não estamos, entretanto, entregues ao caos incontido. Muitos são os pólos de aglutinação. O prefixo poli gera polifluente, poliglauco, polifosfóreo, poliflui, polipurpúreo, polilendo-se, polilido, atraindo sons próximos: livro, pli, plus. Embora as fronteiras se dissolvam, reconhemos lugares da Espanha, da Itália, da França, da Alemanha, da Rússia, do Brasil, da Argentina, do México, dos Estados Unidos... Não são muitos e se alinham ao longo dos roteiros usuais O repertório onomástico é o da nossa bagagem cultural: Gauguin, Artaud, Wilde, Schiller, Goethe, Voss, Hölderlin, Lorca, Sousândrade, Safo, Vico, Homero, Volpi, Oswald... Poucos sons se distanciam dos que ouvimos com freqüência. Movemo-nos num mundo familiar. Da nossa galáxia acompanhamos o movimento das galáxias. O vazio que mina os alicerces do poema não lembra só o efeito devastador do niilismo contemporâneo, reflete também o naufrágio de nossas ilusões de grandeza. Conscientes de faltas e de falhas, cabe-nos construir o que ainda não existe. A decisão nos faz poetas.

       


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      Donaldo Schüler
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